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Doença de Peyronie

A doença de Peyronie, também conhecida pelo nome de fibroesclerose cavernosa, é uma doença benigna do pênis caracterizada pelo aparecimento de áreas de fibrose e endurecimento na túnica albugínea do corpo cavernoso podendo levar ao aparecimento de encurvamento peniano e disfunção erétil – a chamada impotência sexual.

O encurvamento, que pode ser para baixo, para cima ou para o lado, é detectável quando o pênis está em ereção. A incidência aumenta de acordo com a idade e cerca de dois terços dos pacientes se encontram entre os 40 e 60 anos de idade, mas eventualmente pode acometer homens jovens.

A etiologia desta patologia ainda é incerta, existindo teorias em relação a micro traumas no pênis durante a relação sexual e/ou micro traumas durante as ereções noturnas. Já outras teorias relacionam causas genéticas à doença de Peyronie.

· Homens acometidos pela Doença de Peyronie só procuram orientação do Urologista com o encurvamento peniano com mais de 45º, podendo mesmo atingir 90º.
· Nesses casos, a dificuldade ou impossibilidade de penetração, devida ao encurvamento ou à disfunção erétil, são o principal motivo de preocupação do doente.

O diagnóstico é clínico com anamnese e exames clínicos. O paciente geralmente revela curvatura peniana durante a ereção podendo ter dor durante a fase aguda da doença. Com a progressão pode-se observar associação da mesma com disfunção erétil (DE). Em algumas situações, exames complementares podem auxiliar no diagnóstico da doença e localização da placa (ultrasom). O autorretrato do pênis em ereção ou a observação de ereção como também a aplicação de fármaco induzida no consultório também ajudam no diagnostico.

 

O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, devendo ser respeitado o caráter evolutivo da doença na instituição do tratamento. Na fase aguda inicial da patologia existe a possibilidade de instituir tratamento medicamentoso com intuito de diminuir a reação inflamatória local. Atualmente se faz uso de drogas com efeitos razoáveis para essa fase juntamente com a associação da vitamina E e com a colchicina. Importante salientar que existem outras drogas em estudo. O tratamento cirúrgico fica restrito para os pacientes com curvaturas, dor na ereção e dificuldade para realizar ato sexual satisfatório. Outra indicação seria a associação da doença de Peyronie com disfunção erétil sem resposta a terapia clínica anterior. O tratamento cirúrgico deve ser realizado após estabilização da placa e da curvatura peniana.

 

Como forma de tratamento cirúrgico pode-se realizar cirurgias clássicas como a cirurgia de Nesbit, com chances razoáveis de melhora, mas vale alertar ao paciente que tem o risco de encurtamento do tamanho do pênis. Existem também as cirurgias com excisão e substituição da placa de Peyronie. Esse procedimento consiste na remoção completa da placa de Peyronie e sua substituição por enxertos autólogos ou sintéticos.

Outra possibilidade são as cirurgias em que apenas se incisa a placa e se coloca os enxertos sobre a túnica albugínea. Os resultados ainda são conflitantes na literatura e futuros estudos são necessários.

Resultados encorajadores têm sido conseguidos com a técnica de múltiplas plicaturas penianas, onde com essa técnica consegue a retificação do pênis com baixos riscos de disfunção erétil ou perda do comprimento do pênis. Índices de satisfação chegam a 95% com essa técnica.

Quando existe associação de Disfunção Erétil (DE) sem resolução com drogas pode ser associado a correção da curvatura com a prótese peniana maleável ou inflável. Dr. Gustavo Wanderley, do Centro de Urologia e Cirurgia Reconstrutora, conclui que a Doença de Peyronie ainda é um campo aberto a pesquisas e seu tratamento deve ser realizado por profissional habilitado, respeitando-se sempre o caráter evolutivo da doença.